domingo, 22 de setembro de 2019

Eurovelo 15 - Rhine Cycle Route - 15º e 16º dias - De Laubenheim a Boppard

05/06/2019 - Quarta-feira

Fizemos uma pausa para descansar do pedal no 15º dia da viagem. E aproveitamos para visitar uma prima que mora em Mainz. Com ela, passeamos pela cidade e por Wiesbaden, localidade próxima: 
Marktbrunnen - Fonte Renascentista - Mainz
Heunensäule - Praça Central - Mainz


Nagelsäule (Coluna Nagel) - Mainz
A coluna de pregos (Nagelsäule) foi criada como símbolo de uma campanha de propaganda e captação de recursos, escolhida entre 71 projetos, durante a 1ª Guerra Mundial. Foi inaugurada em 1916 e restaurada em 2011.
Trata-se de uma coluna de carvalho de 7 metros de altura, com muitos simbolismos, cercada por 3 pilares de pedra que representam a caridade, a bravura e a união.
Cada doador da campanha teve direito a martelar um prego na coluna. Doadores de valores menores usaram pregos comuns e de valores maiores, pregos com cabeças douradas.
O dinheiro arrecadado beneficiou entidades assistenciais de crianças menos favorecidas, a Associação das Colônias de Férias e o Serviço Nacional de Mulheres e propiciou alívio à fome provocada pelo embargo aliado ao Império Alemão.
Kuckucsuhr - que já foi o maior relógio cuco do mundo - Wiesbaden
Igreja do Mercado em Wiesbaden
 

06/06/2019 - Quinta-Feira

A Zwei Raben Pension onde ficamos, em Laubenheim, não oferece café da manhã. Por isso, nesses dois dias, tivemos que comprar nosso "café" em mercados, para ter o que comer no desjejum.
Por volta de 8:30 h estávamos prontos para sair e retomar nosso percurso. O caminho passava por Mainz, a cidade natal de Gutenberg, o inventor da tipografia: 






Os habitantes de Mainz têm uma bem cuidada "prainha" onde se divertir: 

Seguimos boa parte do tempo à margem do Reno: 




Eros admira a montanha da Loreley - Entre Wiesbaden e Koblenz
Loreley - É a lenda mais conhecida de todo o Reno, segundo a qual basta um olhar da linda sereia de longos cabelos dourados para que os navegantes se esqueçam de seus navios e os deixem à deriva.
Isto teria acontecido ao filho do Conde de Palatinado que, irritado com o fim trágico de seu rebento, enviou soldados à montanha para que jogassem a sereia ao rio, do alto do morro, matando-a.
A tropa do conde encontrou a sereia sentada, penteando seus longos cabelos calmamente, com um pente dourado, no alto do penhasco.
Sabendo da intenção dos soldados, a sereia jogou seu colar de pérolas ao rio, que elevou suas águas numa onda muito alta, da qual se utilizou para descer ao rio lentamente.
A partir daí nunca mais foi vista, mas nas noites de lua cheia seu canto ainda é ouvido na estreita curva do rio, ao lado daquele morro.
Poetas elaboraram suas próprias versões da história e a lenda acabou virando música, conhecida em todo o mundo.

Quando o caminho nos levava um pouco para o interior, campos de cevada e trigo era a paisagem avistada, algumas vezes com um "mato" bem colorido: 


Às 11:30 h da manhã o odômetro marcou o km 1000 e nós comemoramos com uma foto conjunta: 
As cegonhas gostam de construir seus ninhos no alto. Já os vimos em torres de igrejas e de eletricidade, sempre na parte mais alta. Hoje nos deparamos com mais um, desta vez no tronco de uma árvore que perdeu a folhagem e a copa: 


Praticamente todos os dias passávamos por campos floridos, ora vermelhos, ora roxos, ora amarelos. Hoje, fomos premiados com um esplendoroso canteiro de rosas vermelhas: 

Era o dia com o maior número de castelos no caminho, muitas plantações de uva e vinícolas: 
Castelo Rheinstein (Pedra do Reno) - Trechtingshausen 
Era um castelo aduaneiro criado no século XIV. Arruinado e abandonado no século XVII, foi reconstruído a partir de 1823 no espírito do romantismo do Reno. Hoje é aberto à visitação pública. Notem, pendurada em uma das torres, a cela suspensa.

Castelo Stahleck - Bacharach

Castelo do século XII, destruído no século XVII e reconstruído no século XX. Onde hoje funciona um albergue da juventude.
Castelo de Schönburg - Oberwessel
Neste local funciona hoje o Burghotel auf Schönburg. Um hotel onde você pode se hospedar em um castelo de verdade...
Castelo Gutenfels - Kaub  
Reconstruído no século XIX, também é utilizado como hotel.
Ruínas do Castelo de Ehrenfels - Rüdesheim 
Seu nome significa "penhasco da honra", mas era um posto de coleta de impostos. Construído no século XIV, foi destruído no século XVII e nunca mais reerguido. Há uma casta de uvas chamada Ehrenfelser em sua homenagem.
Niederwalddenkmal - Monumento à vitória alemã na guerra 
franco-prussiana (no alto)
Maus Castle - Goarshausen-Wellmich
Maus Castle - Goarshausen-Wellmich
Construído a partir de 1356 para defender as fronteiras contra os condes de Katzenelnbogen (que haviam construído os Castelos Katz e Rheinfels, que não fotografamos). Ao contrário de seus dois castelos vizinhos, o "Castelo do Rato" nunca foi destruído, tendo sido restaurado entre 1900 e 1906. Hoje, no local funciona um aviário com falcões, corujas e águias e demonstrações de voo são realizadas para os visitantes, do final de março ao início de outubro.
À esquerda, o Burg Sterrenberg, um hotel com centro de enventos.
À direita, o Hotel Restaurant Café Burg Liebenstein. 
Os dois empreendimentos acima encontram-se em frente à cidade de Bad Salzig, do outro lado do Reno. Aliás, no Reno, até dentro do rio há castelo: 
Pfalzgrafenstein Castle - é um castelo de pedágio na ilha de
Falkenau, próximo a Kaub - Atrás, o Castelo Gutenfels
As tarifas de pedágio foram suspensas no Reno a partir do século XIX, quando começaram a surgir as primeiras companhias de transporte de passageiros. Atualmente, você pode fazer percursos de barco pelo rio, comprando uma passagem com validade diária e descer onde quiser, pegando o barco seguinte ou outro, mais tarde, para continuar a viagem. 

O tráfego fluvial é intenso e enquanto íamos passando pelas pequenas belas cidades da margem do Reno, íamos observando os barcos que muitas vezes não tinham muitos passageiros, talvez porque não estivéssemos ainda no verão europeu: 
  



Observem a infraestrutura existente para desembarque de passageiros em frente a um local de atração turística: 
Propaganda de uma produtora de vinho nas proximidades da vinícola: 
A estrutura viária alemã é espetacular. Vejam, em um determinado momento do caminho, tudo o que nos era oferecido: o rio, para o transporte fluvial, a estrada para o transporte rodoviário, a estrada de ferro para o ferroviário, a ciclovia e até a faixa reservada para os pedestres. Tudo devidamente sinalizado: 

Todos os anos, no último domingo de junho, os carros são proibidos no trecho entre Bingen e Koblenz e o espaço é aberto aos praticantes de ciclismo e skate, que dispõem de 120 km de pistas só para eles. 150 mil visitantes participam desta grande festa, nos dois lados das margens do Reno.
Nossa estadia em Boppard foi na Mittelrhein Pension. Quando chegamos, o responsável estava nos esperando. Abriu-nos um cômodo na parte de baixo, onde guardamos as bicicletas com segurança. Quarto relativamente amplo, sem problemas de espaço. Em termos de conforto, também tudo tranquilo.
Distância percorrida no dia:  87,71 km.
Quilometragem acumulada: 1.062,15 km.
Jantamos muito bem em um restaurante nas proximidades.
Foi um dia de muitas novidades e coisas curiosas, mas viemos bem e tudo transcorreu com tranquilidade. Dia todo nublado, mas sem chuva. Um paraíso para o ciclista!

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Eurovelo 15 - Rhine Cycle Route - 14º dia - De Ludwigshafen a Laubenheim (Mainz)

04/06/2019 - Terça-feira. 

Após o bom café da manhã do Hotel Excelsior, partimos para mais um dia de jornada, rumo ao Mar do Norte, no litoral da Holanda. 
A saída se faz por muito bem cuidadas ciclovias urbanas e ruas, atravessando às vezes, túneis de pedestres de 120 m de comprimento.
Chamamos de túnel de pedestres, mas na verdade, eles se destinam também aos ciclistas, pois têm uma linha tracejada no solo, demarcando um lado para quem está a pé e outro para as bicicletas, havendo também placas de sinalização orientando sobre o lado de cada um. 
Quando já havíamos pedalado mais de um quilômetro em direção à cidade seguinte, Opau e estávamos tirando uma foto em frente a uma fonte, a Rose percebeu que havia esquecido as luvas no hotel. 

Ela e o Fernando voltaram para tentar encontrá-las e nós ficamos esperando naquela praça, muito pitoresca. Deu tempo para ficarmos brincando com as bicicletas: 

Depois soubemos que aquele prédio à nossa frente era o Centro de Aconselhamento de Assuntos Sociais de Ludwigshafen, o Sozialamt.
Depois que a Rose e o Fernando voltaram, após ter encontrado as luvas sobre o balcão do hotel, no mesmo lugar onde haviam esquecido, continuamos nosso caminho. 
Encontramos o pessoal da prefeitura podando árvores, tudo "igualzinho" aqui: as podas já são devidamente picadas em uma máquina e armazenadas para destinação adequada, sem ficarem aqueles montes de galhos sobre as calçadas ad aeternum, como estamos acostumados a ver no Brasil. 
Já imaginou uma empresa onde o estacionamento não é cheio de carros, mas de bicicletas, desse jeito? 
Passamos diariamente por trechos entre florestas, sempre extremamente agradáveis. Hoje não foi diferente: 

A gente procura seguir a sinalização, mas às vezes esta não traz informações sobre o Eurovelo 15. Porém, como as cidades que estão nas placas estão no caminho, a gente vai seguindo... 


A sinalização insuficiente nos fazia errar muitas vezes. Houve ocasião em que chegamos, por exemplo, em uma trifurcação, sem que houvesse indicação do caminho a seguir. Isso resultou em aproximadamente 24 km de pedal a mais do que deveríamos andar no dia. Eram previstos 71,40 km e acabamos pedalando 95,77 km.
Passagem sob uma ponte clássica: 

Nosso percurso, muitas vezes, nos afastava do Reno, mas isto não durava muito e logo estávamos ao lado dele de novo, admirando sua beleza e curtindo o suave deslizar de suas límpidas águas: 


Uma surpresa muito agradável: dois cervos que se alimentavam nas proximidades do caminho e que se afastaram rapidamente quando nos aproximamos: 
Hoje foi dia de passarmos por Worms, uma cidade histórica alemã. Ler sobre Worms é mergulhar na história. Aqui Martinho Lutero teve que responder à igreja católica sobre suas pregações e escritos, o que acabou resultando talvez na maior cisão religiosa da era cristã. 
E você já ouviu falar de Siegfried? Pois é, para quem não sabe, é o herói da mitologia nórdica, cujo povo era formado por anões e também personagem de uma ópera de Wagner, a terceira da tetralogia O Anel do Nibelungo. 
E aqui em Worms encontramos, na parte reconstituída que restou das antigas muralhas da cidade, construídas a partir de 900 d.C., o Museu dos Nibelungos:  



Falo diariamente sobre a qualidade de tudo aqui na Europa e mesmo o caminho de terra recebe os devidos cuidados: 

E começaram a aparecer os primeiros vinhedos do caminho, sempre enfeitados por belas roseiras: 
Momento de tensão: Sentei-me em um banco, à beira do rio, para aguardar os outros três membros do grupo, que haviam ficado para trás. Logo chegou o Fernando, que sentou-se comigo. Perguntei das meninas e ele disse que elas vinham vindo, deveriam estar tirando fotos. Passados alguns instantes, falei: elas não costumam demorar tanto, vou atrás. O Fernando respondeu: não precisa, elas estão vindo! Mais uns dois tensos minutos e nada! Vou atrás, eu disse, peguei a bicicleta e comecei a voltar pelo mesmo caminho que tinha percorrido. O Fernando ficou sentado. Procurando por todos os lados, ia tentando ver todas as possibilidades, mas não as encontrava. Cheguei até o ponto onde estivemos juntos pela última vez e nenhum sinal delas! Percorri algumas vias alternativas nas proximidades e nada! Resolvi voltar e avisar o Fernando. Encontrei-o no caminho. Conversamos, tornamos a ir até o ponto onde havíamos feito, os quatro, uma parada de re-hidratação, mas não havia sinal delas. 
Muitas coisas passam pela cabeça da gente nessa hora, mas eu acreditava no melhor: que elas tivessem pego um caminho alternativo, pelo interior, ao invés de seguir na beira do rio. 
Vendo que havia placas de sinalização que indicavam Laubenheim por duas direções diferentes, sendo uma delas a que estávamos seguindo, resolvemos seguir pela outra e pedalamos o mais rápido que pudemos, imaginando alcançá-las. Havíamos perdido muito tempo, porém e não víamos sinal delas.  
O destino de hoje era a Zwei Raben Pension, em Laubenheim, onde ficaríamos por dois dias, pois havíamos planejado um dia de descanso no dia seguinte. 
Quando chegamos lá não as vimos e não havia nenhuma pessoa da pensão para perguntarmos se elas haviam chegado. Era uma hospedaria sem portaria, o contato era por interfone. Então, a Eros apareceu... Ela e a Rose já haviam feito o check-in e já haviam subido para os respectivos quartos. 
Então nos contaram: quando não nos viram mais, resolveram seguir sozinhas, pois não tínhamos contato por telefone. Só que pegaram o caminho alternativo ao que estávamos. Quando chegaram na cidade, pediram ajuda. Eros: "I lost my husband!" E um rapaz resolveu conduzí-las até a pensão. Felizmente!
As bicicletas ficaram do lado de fora, em uma cavidade utilizada para a entrada lateral da pensão. A senhora recepcionista havia dito que o local era monitorado por câmeras. 
Quilometragem acumulada: 974,44 km.
Tivemos algum problema com a água quente no chuveiro, que funcionava intermitentemente. Demoramos um pouco para descobrir um jeito de fazer a coisa funcionar razoavelmente e os banhos não foram à vontade, tivemos que concluir do jeito que deu...


sábado, 7 de setembro de 2019

Eurovelo 15 - Rhine Cycle Route - 13º dia - De Maximiliansau a Ludwigshafen

03/06/2019 - Segunda-feira

Dia hoje de poucas novidades, as fotos mostram a história do caminho.

Despedimo-nos com pesar do Hotel Vater Rhein, a estadia foi muito prazerosa e confortável. Café da manhã de primeira, servido em um agradabilíssimo salão, com pessoal simpático e atencioso. Nota 10.

Tivemos dificuldade no começo, por conta de uma auto estrada de grande movimento, onde era proibido bicicleta. Tivemos que voltar um pedaço, mas acabou sendo bom porque encontramos um supermercado, onde pudemos comprar um lanche e água para a jornada.

Pedalamos hoje 90,32 km, a quase totalidade do tempo em ciclovias espetaculares, muitas vezes em meio a densas florestas, o que já é até redundância: 




Paramos por volta de 12:15 horas para tomar o lanche em uma praça à beira do Reno, na entrada da cidade de Germersheim: 


Havia ocasiões em que acabávamos perdendo o caminho e aí, para reencontrá-lo, tínhamos que percorrer uns atalhos mais isolados: 
Retomando-o, continuávamos deslizando suavemente e sem muito esforço, curtindo a prodigiosa natureza: 



Para maior diversão, valia até brincar de pedalar sem as mãos: 



Em uma das cidades que atravessamos, nós passamos pelo "Technik Museum Speyer", o Museu de Tecnologia de Speyer, Alemanha. Quem tiver a curiosidade de ver, é uma área imensa, espetacular, com aviões, helicópteros, barcos, trens e muito mais: 
Chegando a Ludwigshafen, atravessamos um parque com esculturas, jardins, lanchonete, trilhas e muito verde: 


Em Ludwigshafen, nosso hotel era o Excelsior, um edifício de 18 andares mais térreo e sobreloja. Tivemos que atravessar boa parte da cidade para chegarmos até ele, inclusive cruzando um complexo rodoferroviário que compreendia uma auto estrada e diversas linhas férreas, utilizando um túnel de pedestres de cerca de 150 metros de comprimento. Horário de chegada: 17:00 h.
Quilometragem acumulada: 878,67 km.